GUERRA CONTRA O LOSANGO É IDEOLÓGICA
Não vão te contar que o gol de Yuri contra o Bahia só ocorreu porque o Corinthians defendia em 4312, mas muita gente vai culpar o losango por cada chute ao gol do adversário. Contudo, tática é escolha, e cada escolha traz perdas e ganhos. x.com
Não vão te contar que o gol de Yuri contra o Bahia só ocorreu porque o Corinthians defendia em 4312, mas muita gente vai culpar o losango por cada chute ao gol do adversário. Contudo, tática é escolha, e cada escolha traz perdas e ganhos. x.com
Aparentemente, por jogar sem pontas, o 4312 teria uma deficiência para marcar os lados do campo, mas é o oposto. Como os volantes pelo lado precisam fazer o balanço para ajudar o lateral na marcação, é o centro do campo, a entrada da área que fica desguarnecida.
Ou seja, Carrillo e Bidon balançam para os lados, e a zona em torno de Raniele pode ficar fragilizada. O Bahia tentou explorar isso. Com dois alas, invertia constantemente a bola de lado para, em seguida, tentar infiltrar pelo centro, aproveitando espaços na entrada da área.
Contudo, na maioria das vezes, o Corinthians conteve bem o adversário graças ao trabalho sem bola de Garro e Memphis para ajudar Raniele nessas invertidas, além do fôlego de Carrillo, do bom posicionamento de Bidon, e da antecipação dos zagueiros.
O que ninguém te conta, caro leitor, são as vantagens de se defender em 4-3. Quando o Corinthians recupera a bola, tem logo adiante um grande passador (Garro), e uma extraordinária dupla de ataque para atacar os espaços e se combinar.
Os três (Garro, Memphis e Yuri) estão mais perto do gol adversário e contra-atacam melhor. O Liverpool de Klopp fazia isso quando defendia em 4-3 e explorava os contragolpes com o trio Salah, Firmino e Mané. O Corinthians faz muitos gols de contragolpe por defender em 4-3.
Como qualquer outra tática, defender em 4312 é uma escolha com perdas e ganhos. Contudo, a ideologia como distanciamento das nuances da realidade que te fazer crer na existência de dois tipos de sistemas: os perfeitos e os falíveis.
As narrativas estão prontas. Cada ataque do adversário e o discurso dos especialistas é sempre o mesmo: A CULPA É DO LOSANGO. Mais um pouco, vamos acreditar que o 442 tornaria o time em inexpugnável. Não tomaria gol, não passaria sustos, não receberia ataques do adversário.
Se o losango, como qualquer outro sistema, tem perdas e ganhos, por qual motivo foi criminalizado no Brasil? Por que ele foi visto como símbolo de atraso, de decadência, de falta de potência? A resposta é simples e está na ideologia como distanciamento da realidade.
Desde o primeiro com Claudio Coutinho na seleção de 1978, o losango, como o 4222, virou um símbolo de várias características do futebol brasileiro: aproximação na bola, funções, assimetrias, tocar e avançar, liberdade espacial, movimentação pelos dois lados, etc.
Há uma longa guerra entre o Brazil e o Brasil. O Brazil sempre desejou que o nosso jogo fosse físico, retilíneo, obcecado por organização, repetição e regularidade. O Brazil odeia o futebol brasileiro criado empiricamente por seu povo mais pobre e simbolizado no losango ou 4222.
Nesse sentido, no fundo, o Brazil não odeia o losango ou o 4222 por suas falhas, por seus limites, mas por sintetizar a cultura futebolística brasileira. Era preciso destruir isso. Destruir o losango e o 4222 seria como apagar formas de vida.
Após a ascendência do jogo posicional, o retorno dos pontas, e a falta de novas ondas de inovação no futebol brasileiro, o losango foi transformado em bode expiatório, o grande culpado por tudo. Para o Brazil, ele representaria o atraso, a decadência, a incivilidade do Brasil.
A guerra contra o losango (e o 4222) sempre foi ideológica. Era preciso destruir o losango para também destruir os traços da cultura futebolística popular. Um projeto subconsciente também de "classe", que mostrava a cultura da multidão brasileira como atraso para substituí-la.
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