A seleção brasileira, antes símbolo maior do povo brasileiro, virou a coisa mais mixuruca, mixe, insignificante desse país.
Não é possível mais fazer poesia depois disso. x.com
Não é possível mais fazer poesia depois disso. x.com
No fundo, o resultado acaba sendo irrelevante. Simplesmente não nos reconhecemos mais no que vemos em campo. Não nos desperta grandes afetos, mas só resmungos rotineiros, como os de um trabalhador cansado e absorvido com o seu serviço.
A seleção brasileira virou uma espécia de seleção mexicana, ou seja, sem identidade, sem autoestima, que busca apenas importar 'tecnologia' e reproduzir o que faz sucesso lá fora, só que com melhores jogadores.
Contudo, essa escolha consciente por ser uma seleção de segunda classe é apenas um sintoma do futebol brasileiro e não a doença em si. A seleção é apenas a reprodução do pensamento, do método, da sensibilidade hegemônica no ecossistema do futebol brasileiro.
Esse ecossistema funciona cada vez mais a partir da elite que atua e consome o jogo, e está cada vez mais afastado das peripécias e contradições da multidão. Quer dizer, o futebol brasileiro é cada vez menos expressão empírica e genuína da multidão de brasileiros.
O novo futebol brasileiro, dirigido por esse novo ecossistema, fez uma escolha consciente em abandonar transformações, inovações, e cair na armadilha da mera imitação, pois isso gerava uma sensação de segurança.
Preferimos a sensação de segurança ao risco. Mais vale perder fazendo o que todo mundo faz do que arriscar algo diferente e se estrepar. Por essa sensação, queremos dizer: reproduzir métodos, não contestar hegemonias, arriscar menos, etc.
Dirigentes, treinadores, mas também os jogadores se adaptaram a essas mudanças no ecossistema do jogo. Quem não se adaptou foram os nossos olhos, a nossa autoestima, e a crença genuinamente mundial que a seleção brasileira era um símbolo do jogo. Teremos que viver após...
جاري تحميل الاقتراحات...