Rodrigo da Silva
Rodrigo da Silva

@rodrigodasilva

32 تغريدة 35 قراءة Aug 16, 2023
Volta e meia me perguntam se há gente ganhando dinheiro para defender o governo chinês nas redes sociais brasileiras.
Há.
E uma reportagem publicada há poucos dias pelo New York Times dá até nome aos bois.
Conto essa história aqui:
Você provavelmente nunca ouviu falar nesse sujeito. Mas certamente já esbarrou no seu trabalho.
Ele se chama Neville Roy Singham. Neville é americano, tem 69 anos e uma fortuna avaliada em mais de 700 milhões de dólares.
Há poucos dias, o New York Times publicou uma extensa investigação mostrando como este cara gastou centenas de milhões de dólares para construir uma rede global de propaganda para o governo chinês.
E um spoiler: há um braço dessa rede atuando no Brasil.
nytimes.com
O NYT revela que a rede de Neville opera por meio de uma série de organizações sem fins lucrativos e empresas de fachada espalhadas pelo mundo, direcionando dólares para grupos que produzem propaganda chinesa.
É o caso do Instituto Tricontinental, que tem Miguel Stédile, filho de João Pedro Stédile, fundador do MST, entre os coordenadores no Brasil.
E do site Brasil de Fato, citado pela reportagem do New York Times.
O Brasil de Fato faz parte da “International People’s Media Network”, uma rede financiada por Neville para promover propaganda pró-China (e eventualmente pró-países alinhados do Partido Comunista Chinês) em diferentes regiões do planeta.
Neville Roy Singham também é quem financia o No Cold War, uma organização propagandista que finge independência nas questões envolvendo EUA-China.
São signatários do grupo os brasileiros Celso Amorim, João Pedro Stedile, Elias Jabbour e Breno Altman.
nocoldwar.org
Segundo o NYT, "esses grupos operam em coordenação. Muitos compartilham funcionários e escritórios. Eles organizam eventos juntos e entrevistam os representantes uns dos outros sem revelar seus vínculos".
Segundo o NYT, os grupos financiados por Neville promovem campanhas pró-Pequim e espalham notícias falsas sobre Xinjiang, Taiwan, Tibet e Hong Kong. Tudo coordenado.
Nesses prints, as trocas de email revelam um conteúdo produzido para defender a posição de Pequim na pandemia.
Diz o New York Times:
"O resultado é um florescimento aparentemente orgânico de grupos de extrema-esquerda que ecoam os pontos de discussão do governo chinês, ecoam uns aos outros e são ecoados, por sua vez, pela mídia estatal chinesa."
Neville Roy Singham é casado com a americana Jodie Evans, fundadora da organização Code Pink.
Desde 2017, mais de US$ 1,4 milhão em doações ao Code Pink vieram de grupos ligados a Neville.
Jodie é uma propagandista chinesa e apresenta o país como um "defensor dos oprimidos".
Jodie trata os uigures como terroristas e defende sua detenção em massa. Ela tem a mesma posição sobre os ativistas pró-democracia de Hong Kong.
O casal também promove protestos fingindo "lutar contra a sinofobia" para promover propaganda pró-Pequim.
codepink.org
Em 2021, a No Cold War, o Instituto Tricontinental e o Brasil de Fato organizaram um seminário online com Dilma Rousseff, João Pedro Stédile, Celso Amorim, Elias Jabbour e propagandistas de universidades chinesas. Foi visto por mais de 300 mil pessoas.
archive.ph
Marco Fernandes e Tings Chak, membros do Tricontinental, também participaram do evento.
Ambos moram em Xangai e produzem conteúdo, como esse vídeo, para a internet brasileira.
Chak também é membro do Dongsheng News, editado na China e financiado por Neville.
Neville Roy Singham já doou US$ 275 milhões para essas causas.
As mesmas pessoas participam de eventos interligados pelos grupos financiados por ele.
Também é fácil perceber que parte do conteúdo exibido no Brasil de Fato é produzido pela CGTN, canal estatal chinês.
Neville mora em Xangai e fez parte de sua fortuna na China. Ele já trabalhou como consultor da Huawei e investiu dezenas de milhões de dólares em empresas do país.
O americano é figura assídua em workshops de propaganda do Partido Comunista Chinês.
archive.ph
Neville é um arquiteto do que Xi Jinping chama de 讲好中国的故事: contar bem a história chinesa.
Seu filho, Nate, mora em São Paulo. Ele assume, online, trabalhar para o Instituto Tricontinental e já escreveu artigos para o Brasil de Fato, como esse:
brasildefato.com.br
Não há dúvida que a China gasta muita grana para influenciar o debate público internacional e contar bem a história do país.
Essa outra reportagem do New York Times - "Como Beijing influencia os influenciadores" - já contava isso em 2021:
nytimes.com
Esse relatório da Federação Internacional de Jornalistas mostra como Pequim influencia a imprensa internacional:
ifj.org
Este relatório da Repórteres Sem Fronteiras faz o mesmo:
rsf.org
E esse artigo do Reuters Institute:
reutersinstitute.politics.ox.ac.uk
É claro que se você é só um tuiteiro propagandista, irá assumir que há uma grande conspiração global da imprensa, envolvendo dezenas de milhares de jornalistas, para difamar Pequim.
Esse discurso está literalmente no manual da propaganda chinesa.
wired.com
Não está satisfeito?
Leia esse paper do Global Public Policy Institute, de Berlim.
merics.org
Se fala francês, também pode ler esse estudo de 654 páginas do Institut de Recherche Stratégique de l'Ecole Militaire, de Paris.
drive.google.com
Sabe a thread daquela influencer que foi pra China e contou toda a verdade que a mídia não mostra?
E os vídeos daquele cara que vive na China?
E os posts daquele professor?
E a chuva de tweets pró-China em qualquer má notícia sobre o país?
Há boa chance de ser só propaganda.
E mesmo com as dezenas de estudos e reportagens anexados nesta thread, aqui embaixo você provavelmente lerá comentários como:
"E os EUA?"
"NYT? kkkk"
"Isso é sinofobia"
"Suco de propaganda anticomunista!"
Você só leva essa gente a sério a partir de agora se quiser ser enganado.

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