Crimes Reais
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15 تغريدة 256 قراءة Mar 24, 2023
“Eles tinham roubo no coração, mas pouco na cabeça.” Os ladrões que passaram suco de limão no rosto por acreditarem que ficariam invisíveis às câmeras de segurança:
Em 6 de janeiro de 1995, McArthur Wheeler e Clifton Earl Johnson, residentes de Pittsburgh, cidade da Pensilvânia (EUA), colocaram em prática seu plano de assaltar dois bancos locais. Para não deixar vestígios do crime, utilizaram uma estratégia inédita: suco de limão no rosto.
Conforme Wheeler explicou após ser detido, Johnson teria afirmado que aplicar suco de limão na pele tornava a pessoa invisível a câmeras. Ele pôs a tese do cúmplice em prática: em casa, passou o líquido no rosto e tirou uma foto. Para sua surpresa, ele não aparecia na imagem.
Corroborando a teoria, Wheeler tomou conhecimento de que suco de limão era usado na produção de um tipo de tinta invisível. Por essa razão, concluiu que as mesmas propriedades do líquido seriam capazes de esconder seu rosto de câmeras e filmadoras.
Além disso, era fundamental que a técnica fosse eficaz em camuflar os assaltantes, pois seu uso tinha um custo: segundo Wheeler, o suco queimava o rosto e seus olhos, atrapalhando sua visão e dificultando o roubo.
Confiante de que havia descoberto uma fórmula de camuflagem para as câmeras de segurança, Wheeler se juntou a Johnson para cometer os assaltos. Convencido de sua invisibilidade, o primeiro chegou a piscar para uma das câmeras enquanto apontava sua arma para uma atendente.
No entanto, Wheeler não demoraria a descobrir que, na verdade, suco de limão não é uma ferramenta eficaz de camuflagem. Seis dias após os roubos, seu parceiro, que já era procurado por dois assaltos anteriores, foi preso. Três meses depois, Wheeler também foi detido.
No dia 19 de abril de 1995, um segmento em um programa de notícias local divulgou as imagens dos roubos em janeiro. Wheeler foi rapidamente identificado por conhecidos e denunciado à polícia, que o prendeu aproximadamente uma hora após a transmissão.
Wheeler ficou extremamente chocado e confuso no momento de sua prisão, ocasião em que lhe foram apresentadas as fotos incriminadoras. “Mas eu passei suco de limão... passei suco de limão”, declarou, incrédulo com a falha do método.
O homem contou para os policiais de seu teste com uma câmera Polaroid, na qual teria, de fato, ficado invisível. Os investigadores concluíram que Wheeler teria errado o enquadramento da câmera ou afastado a máquina de seu rosto involuntariamente antes de tirar a foto.
Johnson foi condenado a 5 anos de prisão por sua participação nos assaltos a bancos em janeiro de 1995 e em outros dois roubos em 1994. Ele também testemunhou contra Wheeler, que recebeu uma pena de 24 anos e 6 meses de reclusão.
A façanha de Wheeler fascinou um professor universitário de psicologia social, David Dunning, e seu aluno, Justin Kruger, que publicaram a pesquisa “Desqualificado e ignorante: como as dificuldades em reconhecer a própria incompetência levam a autoavaliações exageradas” (1999).
No trabalho, os autores argumentam que “pessoas que não são qualificadas em determinados campos sofrem de um fardo duplo: elas não apenas chegam a conclusões errôneas e fazem escolhas infelizes, mas sua incompetência as priva da capacidade metacognitiva de perceber isso".
O “Efeito Dunning-Kruger”, como foi denominado, determina que pessoas com baixa habilidade, expertise ou experiência em determinado ofício ou área de conhecimento tendem a superestimar sua habilidade ou conhecimento, enquanto pessoas competentes subestimariam sua capacidade.
No caso de Wheeler, que, conforme exames realizados à época, estava são e sóbrio no momento dos roubos, os autores concluíram que sua a ignorância e incompetência em assaltos eram tamanhas que o levaram a utilizar um método absurdo e o impediram de perceber sua própria estupidez.

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