Copa Além da Copa
Copa Além da Copa

@copaalemdacopa

12 تغريدة 15 قراءة Mar 22, 2023
A Lazio venceu o clássico de domingo contra a Roma, mas novamente o jogo fica em segundo plano pelas demonstrações de ódio.
Além de cânticos fascistas e de ódio a judeus, um torcedor da Lazio foi fotografado vestindo a camisa "Hitlerson 88".
"Um setor inteiro que canta coros antissemitas, um 'torcedor' com a camisa Hitlerson e o número 88 e nós, como sempre, os únicos a nos indignar e protestar. É possível que todos continuem a ignorar?", questionou Ruth Dureghello, presidenta da comunidade judaica de Roma.
O número 88 simboliza "heil Hitler", já que o H é a 8ª letra do alfabeto.
Em 2021, fizemos essa thread sobre símbolos do ódio no futebol do leste europeu, mas sempre deixando claro que também acontece na Europa Ocidental. A Itália não nos deixa mentir.
Já o canto denunciado por Dureghello diz:
"Sou laziale e sou racista, somos os camisas marrons, você dá pena com essa merda de quipá.
Você tem um pai deportado e sua mãe é Anne Frank. Romanista, você é um rabino, com pão ázimo e cordeirinho, você celebra o Hanucá".
Em resposta a Dureghello, o ministro do esporte italiano, Andrea Abodi, disse que não havia chance de o governo ignorar o que aconteceu.
"Farei a minha parte, como sinto que tenho que fazer. O respeito é devido e inegociável", escreveu Abodi.
Não está claro o que ele fará.
A FIGC, federação italiana, já havia aberto um inquérito quando esse mesmo cântico apareceu em outra partida da Lazio, diante do Napoli, no início do mês.
Em janeiro, todo o setor da Curva Nord foi fechado devido a outro caso de racismo, contra o Lecce.
Em nota, a Lazio disse que costuma ser "a primeira e a única" a agir contra esses torcedores, pedindo sempre ajuda de outras autoridades para a punição deles.
O clube diz fazer o possível para identificar os responsáveis pelos atos e bani-los do estádio.
A polícia já identificou três torcedores envolvidos e, curiosamente, dois deles eram estrangeiros, cujas nacionalidades não foram reveladas. O homem com a camisa "Hitlerson", porém, segue sendo buscado.
Uma coisa que sempre dizemos é que o futebol não existe no vácuo.
Quando algo é normalizado no estádio, é porque já está normalizado na sociedade.
Talvez seja bom olhar também pro fato de que a Itália hoje tem seu 1º governo de extrema-direita desde a 2ª Guerra Mundial, e que acaba de passar por uma saia justa envolvendo o fascismo.
Há pouco, Claudio Anastasio, apontado pela premiê Giorgia Meloni para chefiar a 3-I, estatal italiana da área de tecnologia, achou de bom tom enviar um e-mail aos seus funcionários com um discurso de Mussolini.
Segundo ele, era pra "mobilizar as tropas".
Anastasio foi demitido.
A oposição ao governo de Giorgia Meloni recentemente elegeu a jovem Elly Schlein, uma judia ashkenazi, para liderá-la.
No início do mês, um muro apareceu pichado na comuna de Viterbo com uma suástica e a frase: "Schlein...seu rosto já é um macabro destino".
Não é só no futebol.
O Copa Além da Copa fala de esporte por outro ângulo.
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