Rudá Ricci
Rudá Ricci

@rudaricci

23 تغريدة 17 قراءة Feb 01, 2023
Bom dia. Ontem, fiz um Power Point sobre questões básicas sobre política que, no meu entender, geram muita confusão no Brasil. Vou socializar aqui e, como sempre, espero que interesse. Lá vai:
1) Política vem do grego, politae que, numa tradução livre seria algo como "organização social". Tem relação com Pólis. Daí que a palavra político significava "aquele que se preocupa com a Pólis" ou a vida coletiva. O antônimo de político era o idiota, aquele que só pensa em si.
2) Costumamos fazer uma divisão inicial entre correntes políticas indicando quem estaria à esquerda e quem estaria à direita. À esquerda estariam os que defendem a igualdade social. À direita, os que acreditam que as diferenças humanas explicariam a desigualdade social
3) Assim, pessoas mais inteligentes ou mais ambiciosas se destacariam e teriam naturalmente mais sucesso individual que pouco inteligentes e indolentes. A índole pessoal definiria a escala social. A esquerda contesta esta definição.
4) A esquerda afirma que quem nasceu na marginalidade social não conseguirá, por mais abnegado e inteligente que for, chegar perto de quem nasceu no bojo das elites mais abastadas. Ter computadores, acesso a bens culturais, viagens, alimentação correta os coloca à frente.
5) Já a direita afirma que o projeto de igualdade social da esquerda pune quem mais produz e é útil à sociedade. O sucesso implicaria, assim, em mais impostos que - sugerem os neoliberais - alimentarão indolentes e vagabundos.
6) Este debate demarca diferenças importantes no espectro ideológico. Mas, esquerda e direita disputam, não se excluem, ao contrário dos extremistas. Extremismos são correntes - à direita ou à esquerda - que querem a exclusão do contrário pela ameaça ou uso concreto da violência.
7) Neste caso, temos extrema-direita no Brasil - como o bolsonarismo que faz arminha e quer a volta da ditadura -, mas não temos extrema-esquerda. A balança político-ideológica do nosso país pende toda para a direita.
8) Vejamos o espectro ideológico que existe no mundo. Nos extremos, temos o stalinismo e, do outro lado, nazismo e fascismo. Ambos desejam a aniquilação das oposições, disseminam o culto à personalidade e confundem Nação com Governo e líder carismático.
9) Evidentemente que stalinistas e fascistas/nazistas dirão que não são tão violentos, que a picaretada em Trotsky (quando este estava exilado no México) ou que o genocídio de 6 milhões de judeus é um exagero quantitativo.
10) Contudo, a intolerância e o extermínio da oposição é um denominador comum dos extremismos. Norberto Bobbio, em seu livreto "Direita e Esquerda" detalha este ponto em comum dos extremismos.
11) Ao centro, temos os socialdemocratas e social-liberais. O lulismo é social-liberal, portanto, de centro. Muito distante das propostas socialistas e anos-luz do comunismo. Vamos ver a diferença entre socialdemocracia e social-liberalismo.
12) A socialdemocracia promove a condição do ser humano. Significa que muda o status social e condição de vida do cidadão. O social-liberalismo protege, ou seja, dá condições para a pessoa sobreviver, mas não faz grandes mudanças no status social.
13) Esta diferença ocorre porque a socialdemocracia procura subordinar o mercado à dinâmica de desenvolvimento social, sem romper com o sistema competitivo capitalista. Já o social-liberalismo dá atenção à agenda social, mas a subordina à lógica e interesses do mercado.
14) Embora adote alguns traços socialdemocratas, o lulismo sempre se fiou pelo social-liberalismo. A recente entrevista do ministro da Educação foi uma demonstração clara desta tendência. Daí citar tanto o "modelo Sobral", fundado na meritocracia e sucesso individual.
15) Há outra confusão comum no Brasil: o comunismo. Nunca houve tal experiência na humanidade. Não é porque um governante ou dirigente se diz comunista que o país adotou o comunismo. O que temos é socialismo, quando o Estado implanta uma ditadura, o que não é comunismo
16) A diferença é parecida com a ideia de Reino de Deus entre cristãos: ele não existe na prática, mas é uma busca, um Norte. No comunismo o Estado é mínimo ou inexistente. As pessoas não precisam trabalhar por necessidade, o que libera tempo para participar
17) Já o socialismo, segundo Marx, é marcado pelo autoritarismo e pelo forte investimento em tecnologia. O autoritarismo se dá para impedir a propriedade privada dos meios de produção. Não qualquer propriedade privada, mas apenas aquela que se usa para produzir
18) Se os meios de produção são públicos, não há lucro, mas pode haver excedente, principalmente se há forte investimento em tecnologia. Se o que se produz como excedente é distribuído entre todos trabalhadores, logo não haverá necessidade de trabalhar muito.
19) Reduzindo a jornada de trabalho, sobra tempo para a participação política do cidadão, para discutir como deve ser a educação pública, a saúde, a política cultural, de tal maneira que a distância entre cidadão comum e político profissional vai diminuindo
20) Enfim, comunismo nunca existiu no mundo. Mas, há aqui outra confusão em relação à palavra socialismo. Para o marxismo clássico, trata-se da ditadura do proletariado. Mas, no início do século XX, alguns marxistas europeus começaram a afirmar que o reformismo seria o caminho
21) A ideia era que, com o aumento da eleição de socialistas para os parlamentos, seria possível alterar as leis e caminhar para o socialismo sem a revolução, ou seja, sem o uso da força. E é aí que o termo socialista passou a marcar as correntes reformistas da esquerda.
22) Fico por aqui. Amanhã, apresentarei um breve fio sobre os regimes políticos e o conceito de cidadania (incluindo a cidadania passiva e a ativa). Algumas pinceladas, apenas, como fiz agora. Inté. (FIM)

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