Allen Porto
Allen Porto

@allenporto

16 تغريدة 1 قراءة Sep 30, 2022
Gourmetizaram o voto nulo
O voto nulo se tornou um tipo de hype, como o retorno das pochetes, os patinetes elétricos, e alguma outra invenção da classe média engajada culturalmente.
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O cristianismo tem um longo histórico de valorização do homem, para que a sua consciência seja protegida da tirania e abuso.
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Por isso, diga-se desde o início: é fundamental respeitar a objeção de consciência que alguém tenha para votar em qualquer candidato, assim como era fundamental respeitar a consciência de quem não se sentia à vontade para tomar uma vacina sobre a qual não sabia muita coisa.
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Partimos do princípio que o voto nulo por consciência é legítimo e deve ser respeitado.
Mas isso é tudo o que podemos dizer?
Não.
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O voto nulo pode ser tanto um erro estratégico como uma manifestação de um coração desalinhado.
Para aqueles que têm plena consciência do que fazem, que assim seja. Mas nem todos os que optam pela nulidade o fazem sem um ânimo dobre.
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Estrategicamente é um erro. Mesmo considerando entre dois males, a isenção viabiliza que o mal menor ganhe proeminência.
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Em outras palavras: quem se omite não pode reclamar quando sofrer as consequências de ser governado por alguém pior, mesmo que afirme “pelo menos eu não votei nele”.
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É como alguém, afundando em um rio, preferir o afogamento a escolher entre um pedaço de madeira e uma prancha de isopor, porque “nenhum desses é um bote salva-vidas”.
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Ainda presumindo que só haja males, a omissão diminui a escolha pelo mal menor e possibilita o crescimento do mal maior.
Existem aqueles que votam nulo por consciência. Existem aqueles que são apenas omissos.
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Mas essa omissão não é apenas um erro estratégico. É também o reflexo de um coração desalinhado. A escolha pela nulidade do voto pode refletir egoísmo e orgulho, além de uma compreensão equivocada do voto.
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Alguém diz “eu não vou dar o meu voto aos candidatos que estão aí”. E tal pessoa interpreta o voto como entrega total e confiança irrestrita. Interpreta o voto como uma declaração pessoal de lealdade. Ou, interpreta o voto como uma expressão final de suas convicções individuais.+
É verdade que o voto envolve tais aspectos. Mas nunca apenas eles. Se só pudéssemos votar em quem manifestamos lealdade máxima, ninguém deveria receber o nosso voto - nem nós mesmos, já que nos traímos e sabotamos costumeiramente.+
Na era da autoexpressão, o voto se tornou o nosso Instagram - é sobre nós.
Só que não é.
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O voto nos envolve, mas é algo além de nós. O voto é sobre o outro. É uma ferramenta de serviço a Deus e à cidade. Por meio do voto eu contribuo para que o meu país experimente algum bem.
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Portanto, ainda que eu não me sinta plenamente confortável com os candidatos disponíveis, para servir aos meus irmãos e ao meu país eu votarei naquele candidato que entendo produzir um mal menor, ou um bem maior.
Não é sobre mim.
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Esse orgulho nos faz levantar o nariz para gourmetizar o voto nulo e afirmá-lo com ares de superioridade moral e sofisticação.
É pochete; só isso.

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